Depois da fila do INSS, que voltou com força, agora Bolsonaro cria a do Bolsa Família. Enquanto a extrema pobreza avança no país, o governo federal, deliberadamente, dificulta o ingresso das famílias no principal programa de combate à pobreza. Bolsonaro e aliados dizem defender a família, mas pouco têm feito para ajudar as mais pobres e vulneráveis.

“É inacreditável. A renda cai, a desigualdade cresce e o que o presidente faz? Diminui o orçamento de quem mais precisa. O povo não tem lugar nesse governo”, denuncia o vereador Celso Giannazi (PSOL). “E o prefeito de São Paulo tem seguido a mesma cartilha”, acrescenta.

“Desde maio não estão liberando a entrada de ninguém”, diz Delmiro Augusto Oliveira Filho, gestor do Bolsa Família em Inhapi, cidade no sertão de Alagoas. “Os cortes sempre existiram, porque envolve, por exemplo, atualização do cadastro. O que não é normal é a porta se fechar para novos beneficiários”, explicou ao EL PAÍS.  A reportagem relata: hoje quase meio milhão de pessoas estão na fila pelo benefício e a perspectiva não é nada boa. 

Cortes

Apenas no ano passado, 1,3 milhão de beneficiários foram retirados do Bolsa Família. Com o corte de 12% no orçamento planejado para 2020 (de 33,6 para 30 bilhões de reais), a quantidade de famílias atendidas deve cair ainda mais. E de acordo com o jornal O Globo, o número de novos benefícios caiu brutalmente. Entre janeiro de 2018 e maio de 2019, foram concedidos cerca de 260 mil. Taxa que agora caiu para somente 5.667 ao mês.

Desigualdade

“Da maneira como está o Orçamento, a previsão é que se diminua o tamanho do programa, num momento em que ele deveria aumentar”, avalia Pedro Ferreira de Souza, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada. Souza, em conjunto com colegas de instituto, demonstrou que o Bolsa Família contribui com 10% da queda da desigualdade entre 2001 e 2015.

São Paulo

O prefeito Bruno Covas segue o exemplo de Bolsonaro e, em 2020, sugere cortes significativos na área de assistência social, responsável por programas como o Bolsa Família. O orçamento da Secretaria Municipal de Assistência Social terá uma redução de 10,8%, o que significa R$ 14,8 milhões a menos. O Fundo Municipal de Assistência Social perderá 20 milhões de reais (1,7% a menos do que no ano passado).

Lembrando que, em 2019, Covas já havia congelado mais de R$ 335 milhões do orçamento da área, que também é responsável pelo atendimento à população em situação de rua. E basta caminhar pelas ruas da capital paulista para ver a consequência do desmonte.

Com informações do EL PAÍS Brasil.