Em uma comparação da evolução da covid-19 em 40 países, o Brasil está dentro daqueles 25% piores, onde o vírus avança mais rápido.
Em uma comparação da evolução da covid-19 em 40 países, o Brasil está dentro daqueles 25% piores, onde o vírus avança mais rápido.

Atualmente o Brasil é epicentro mundial da pandemia com o número alarmante de 23.522 mortes e mais de 300 mil casos. Contudo, em outros países da América do Sul como Colômbia, Chile e Peru, que tomaram medidas mais contundentes para combater a pandemia, apesar dos rigores da crise, devem recuperar todo o terreno perdido muito antes que o Brasil.

Esses são os países que mais cresceram na última meia década no continente e foram freados a seco pelo avanço do coronavírus. O crescimento previsto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) era de alta de 3,6% para a Colômbia, 2,6% para o Peru e 3% para o Chile. A previsão agora é que o PIB na Colômbia se contraia 2,4%, e 4,5% nos outros dois.

A previsão para o Brasil também é de contração do PIB, em cerca de 5,3%. As medidas de austeridade fiscal e a Emenda Constitucional 95, ou “teto de gastos”, não são suficientes para cobrir este rombo e ainda cortaram gastos expressivos de programas sociais e resultaram em um aumento da desigualdade social no Brasil, fator ainda mais determinante no combate à pandemia.

Em uma comparação da evolução da covid-19 em 40 países, o Brasil está dentro daqueles 25% piores, onde o vírus avança mais rápido. Num recorte só com países da América do Sul, a epidemia brasileira é aquela com maior letalidade e a segunda que mais cresce. 

O Peru, por exemplo, surpreendeu com o plano de estímulo mais ambicioso da região. Equivalente a 12% do PIB. São 26 bilhões de dólares (143,8 bilhões de reais) destinados, em boa parte, a injetar liquidez nas empresas e entregar subsídios a milhões de famílias vulneráveis. Enquanto isso, o governo Bolsonaro relutou em aprovar o auxílio emergencial de 600 reais para a população mais afetada pela pandemia, serviço que ainda não atendeu a todos que precisam.

No Chile, a pandemia encontrou a economia com sérias complicações, logo depois das revoltas sociais de outubro. E seu PIB cresceu apenas 1,1% em 2019, valor abaixo do esperado. Contudo, o Chile vinha, há 10 anos, numa tendência de queda de produtividade e de desempenho econômico, que não tem nada a ver com a eclosão social. E mesmo com a crise econômica e social, o governo chileno mobilizou dois planos econômicos num valor de 17,1 bilhões de dólares (94,6 bilhões de reais), equivalentes a 6,9% do PIB.

O relatório do banco norte-americano de investimento tem um título taxativo (“América Latina: saindo de um buraco profundo”) e prevê para 2022 uma recuperação de 3,2%, 3,5% e 3,2%, para Chile, Peru e Colômbia respectivamente. Em outras palavras: esses três países vão se recuperar em cerca de um ano e meio da crise do coronavírus. Enquanto que aqui no Brasil ainda não há previsão de recuperação a curto prazo.