A proposta do governador não condiz com a realidade das escolas públicas, e o retorno pode impulsionar o número de mortos pela COVID-19.
A proposta do governador não condiz com a realidade das escolas públicas, e o retorno pode impulsionar o número de mortos pela COVID-19.

O governador do estado de São Paulo, João Doria, anunciou nesta quarta-feira (24) o plano de reabertura das escolas. Mesmo com um novo recorde de mortes em São Paulo, 434 pessoas em 24 horas, o governo anunciou a retomada das aulas presenciais no estado a partir de Setembro. 

A proposta do governador não condiz com a realidade das escolas públicas, e o retorno pode impulsionar o número de mortos pela COVID-19 , pois coloca sob risco de contágio milhões de avós, pais, alunos e profissionais da educação, que fazem parte da comunidade escolar.

E quem são essas pessoas que fazem parte da comunidade escolar da rede pública de ensino? São em sua maioria pobres e negros. São em sua maioria mulheres. Vidas descartáveis para necropolítica de João Doria.

O plano de Doria claramente contempla a realidade das escolas particulares, que fazem lobby pela retomada. Contudo, o plano não considera que faltam nas escolas públicas recursos humanos, materiais e estruturais para promover segurança a todos e todas. Confira abaixo alguns motivos que explicam os problemas do retorno:

  1. Escolas superlotadas

A rede estadual e municipal de ensino foi historicamente sucateada e abandonada pelo poder público. Doria fala de distanciamento entre os alunos, mas a realidade é que boa parte das escolas públicas operam normalmente com uma capacidade maior do que a adequada. Ou seja, durante a retomada vão acabar atendendo mais alunos do que o considerado seguro mesmo operando abaixo da capacidade total.

  1. Limpeza

Não dá pra falar em sanitização adequada dos ambientes escolares se, aqui na Capital por exemplo, Covas cortou os contratos dos funcionários da limpeza, reduzindo o número de funcionários por escola drasticamente. Os trabalhadores que prestam esse serviço, além de diariamente expostos ao vírus, serão ainda mais sobrecarregados.

  1. Insistência no EaD

O plano prevê o retorno gradual ainda aliado ao ensino remoto. Em seu discurso, Doria mentiu e disse que os 13 milhões de estudantes não pararam pois estavam estudando remotamente. Contudo, dos 3,7 milhões de alunos da capital, somente 1,5 milhão acessaram as aulas online. Doria ignora completamente a parte dos alunos que não conseguem acessar o ensino á distância.

  1. Ausência de um plano para os alunos com deficiência

Assim como na suspensão das aulas, os alunos com deficiência não tem nenhuma orientação específica no plano de volta às aulas. Os estudantes que são PCD’s seguem invisibilizados pelo poder público e consequentemente ainda mais prejudicados pedagogicamente. Tal ausência é mais um ataque de Covas à educação inclusiva, que é prevista pela Lei de Diretrizes e Bases.