Foto: Fábio Nassif
Foto: Fábio Nassif

Enquanto o número de famílias que não têm casa em São Paulo ultrapassa o milhão, João Doria vai cortar mais da metade do orçamento da Habitação no ano que vem. Na proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2020 enviada à Assembleia Legislativa pelo governador, a Secretaria Estadual de Habitação perderá mais de R$ 900 milhões das suas verbas.

Reduzindo o orçamento de R$ 1,68 bilhão para 732 milhões, João Doria cortará 56% dos recursos destinados à pasta. E com essa queda drástica da verba, a “solução” da sua gestão é a iniciativa privada, a forma clássica de terceirização de administração da privataria tucana, que sucateia para agradar e entregar ao interesse privado.

“Um completo absurdo! Mas se tratando da gestão Dora/Covas, não é de se surpreender esse desserviço à população. Até quando os governantes eleitos pelas paulistanas e pelos paulistanos serão reféns do interesse privado e governarão contra o interesse do povo?” indagou o vereador Celso Giannazi.

A proposta ainda precisa ser aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo, onde o deputado estadual Carlos Giannazi exerce resistência e oposição permanente ao desgoverno de João Doria.

Em 2017, o déficit habitacional no país atingiu o número inédito de 7,78 milhões de moradias, de acordo com levantamento feito pela Abrainc em parceria com a FGV. Dados da Fundação João Pinheiro, de 2015, indicavam que o Estado de São Paulo representava 20% do total do déficit nacional. Já a cidade de São Paulo, segundo o Plano Municipal de Habitação de 2016, tem déficit de quase 360 mil domicílios, ao mesmo tempo que tem mais de 1,3 milhão de imóveis ociosos. 

Os números indicam que a população paulista sofre os severos efeitos do descaso dos governos tucanos em São Paulo, e a tendência com as privatizações é de a parcela mais pobre seja ainda mais renegada pela administração pública.