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IBGE revela que número de estudantes negros nas universidades públicas passou, pela primeira vez, o de brancos , segundo a pesquisa “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil”. Em 2018, o Brasil tinha mais de 1,14 milhão de estudantes autodeclarados pretos e pardos, enquanto os brancos ocupavam 1,05 milhão de vagas em instituições de ensino superior federais, estaduais e/ou municipais. Isso equivale, respectivamente, a 50,3% e 48,2% dos mais de 2,19 milhões de brasileiros matriculados na rede pública. Este marco é uma conquista do movimento por cotas no Brasil já que é a primeira vez que os negros ocupam mais da metade das vagas nas universidades públicas.

Contudo no mercado de trabalho o racismo estrutural se mantém latente. Segundo o IBGE, trabalhador branco ganha por hora 68% mais que pretos e pardos. Os trabalhadores pretos e pardos recebem, em média, R$ 10,1 por hora trabalhada no Brasil. Entre os brancos, esse valor é de R$ 17 por hora, segundo dados referentes a 2018. Em média brancos recebem por hora 68% mais que pretos e pardos. A desigualdade também ocorre nos cargos de chefia onde somente 29,9% dos cargos gerenciais são exercidos por pretos ou pardos. Esse indicador aponta para a questão de que a desigualdade no mercado de trabalho não acaba com a igualdade na formação educacional.

A divisão em cinco classes de rendimento do trabalho principal evidencia que, quanto mais alto o rendimento, menor é a ocorrência de pessoas pretas ou pardas ocupadas em cargos gerenciais. Na classe de renda mais elevada, somente 11,9% das pessoas ocupadas com cargos gerenciais eram pretas ou pardas e 85,9%, brancas. Por outro lado, nos cargos gerenciais de renda mais baixa, havia 45,3% de pretos ou pardos e 53,2% de brancos

Além disso a desigualdade econômica entre brancos e negros se mantém latente. Segundo o levantamento, 55,8% da população em 2018 se declarou preta ou parda (a soma das duas raças resulta nos negros). Entretanto, no estrato dos 10% com maior rendimento per capita, os brancos representavam 70,6%, enquanto os negros eram 27,7%. Entre os 10% de menor rendimento, isso se inverte: 75,2% são negros, e 23,7%, brancos.

As taxas de desocupação e subutilização também têm maiores índices entre pretos e pardos. Mesmo sendo mais da metade da força de trabalho (54,9%), pretos ou pardos formavam cerca de 2/3 dos desocupados (64,2%) e dos subutilizados (66,1%) na força de trabalho em 2018. Os negros também têm mais trabalhos informais que os brancos. “Após um período de queda, a ocupação informal passou a registrar crescimento desde 2016, com a ampliação, em termos relativos, do pessoal ocupado sem carteira de trabalho assinada e por conta própria em ambas as desagregações por cor ou raça. Em 2018, enquanto 34,6% das pessoas ocupadas de cor ou raça branca estavam em ocupações informais, entre as de cor ou raça preta ou parda esse percentual atingiu 47,3%.

Com menor renda, os negros também acabam sofrendo mais no acesso a serviços básicos. Entre pretos e pardos, por exemplo, 12,5% da população não tinha coleta de lixo (contra 6% dos brancos) e 42,8% não tinham esgotamento sanitário por rede coletora pluvial (entre os brancos esse índice é de 26,5%).