O último investimento no serviço funerário foi em 2011, nos últimos 8 anos a prefeitura não investiu nem um centavo no setor. Foto: Eduardo Knapp.
O último investimento no serviço funerário foi em 2011, nos últimos 8 anos a prefeitura não investiu nem um centavo no setor. Foto: Eduardo Knapp.

Os ataques privatistas da Gestão Doria/Covas vai desde a área da saúde com a privatização das UBS’s, até os transportes, com cortes de linhas, e precarização do serviço. Agora foi a vez do serviço funerário, que já era largamente precarizado e agora é alvo da privatização. O PL 324/19, que trata da concessão à iniciativa privada dos serviços funerários municipais foi aprovado em primeiro turno na Câmara Municipal, na sessão plenária desta quarta-feira (21/08). Frente a esse contexto, denunciar a precarização do serviço é fundamental para entender o projeto privatista de Bruno Covas.

Veja o voto do vereador Celso Giannazi

Segundo dados do Orçamento Municipal, desde 2016 os gastos com a manutenção dos cemitérios, velórios e crematórios municipais caíram cerca de 48%, indo de mais de 30 milhões para menos de 18 milhões. Os gastos totais também decaíram nesse período, a prefeitura deixou de gastar 54 milhões na área, o que representou um corte de aproximadamente 32%. Além disso, em todos os anos da Gestão Doria/Covas a prefeitura não investiu nem um centavo no setor.

Tal abandono só poderia render a precarização desses espaços. Os furtos são comuns nos cemitérios da cidade e um dos problemas é o número de guardas. A média é menos de um por cemitério, o que facilita ainda mais a ação dos ladrões. A capital tem 22 cemitérios públicos, para cuidar da segurança desses locais a prefeitura poderia contratar até 200 guardas municipais. O problema é que atualmente apenas 13 servidores fazem esse serviço.

Não bastasse o sucateamento, 5 investigações da CGM obtidas pela Folha de S.P. indicam desperdício de valores milionários no serviço. As irregularidades vão desde descuido com ossos exumados até três limusines que nos 17 meses analisados em 2017 e 2018, consumiram R$ 1,3 milhão dos cofres municipais, mas a demanda foi inexpressiva. Vale lembrar que a gestão Bruno Covas (PSDB) espera privatizar o serviço funerário desde 2017.

O descaso chega ao ponto de, no início de agosto, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenar o Serviço Funerário do Município de São Paulo pela exumação, sem autorização, de dois corpos da mesma família e retirar a concessão perpétua do jazigo da pensionista Eva dos Santos Ribeiro, então com 83 anos, que foi indenizada em apenas 10 mil reais, uma miséria  frente aos danos morais infringidos pela prefeitura.