A falta de leitos na rede pública já é uma realidade histórica que decorre da falta de investimentos diretos na saúde pública. Imagem: Agência Brasil.
A falta de leitos na rede pública já é uma realidade histórica que decorre da falta de investimentos diretos na saúde pública. Imagem: Agência Brasil.

Frente a falta de leitos públicos para combate ao coronavírus na cidade de São Paulo, de acordo com o secretário municipal de Saúde, 800 novos leitos da rede privada podem ser negociados pelo valor de R$ 2.100 ao dia, para servir ao SUS. De acordo com Covas, a cidade de São Paulo tem 247 hospitais privados. Destes, 140 hospitais menores têm o total de 255 leitos. Outros 107 hospitais têm 3.970 leitos.

A falta de leitos na rede pública já é uma realidade histórica que decorre da falta de investimentos diretos na saúde pública. Na cidade de São Paulo a taxa de ocupação nas Unidades de Terapia Intensiva no estado é de 88,8%. No Hospital das Clínicas, que é referência para tratamento de Covid-19, a taxa de ocupação na UTI está entre 95% e 100%, dos 200 leitos de UTI destinados à doença. No local, há 430 internados, sendo 207 em UTIs.

Mesmo o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, que é referência em virologia, foi o primeiro centro médico paulista a lotar por causa do coronavírus. Isso porque o hospital conta com 30 leitos de UTI, e antes da crise eram apenas 12. Precarizado, o hospital passa por reforma desde 2013, o que reduzia a capacidade de atendimento. Há um mês, dois dos nove andares estavam fechados.

Vale lembrar que contratações de leitos privados já existiam por meio de convênios e contratos de prestação de serviços, pagos com base na tabela SUS (Sistema Único de Saúde). Contudo, falta transparência sobre a taxa de ocupação de leitos na rede privada e sobre a quantidade de profissionais de saúde intensivistas, que possuem o treinamento adequado para entubar e cuidar de pacientes em leitos de UTI e CTI.

Por isso, a abertura de novos leitos públicos é medida de extrema importância, para que o SUS seja devidamente fortalecido para combater a pandemia, ao invés de colocar esses recursos na mão dos grandes empresários da saúde. Por isso, Giannazi iniciou a campanha #ReabraJá e fez diligências em diversos hospitais fechados da cidade exigindo sua reabertura e reforma imediatas.

Graças a essa luta e pressão, a Prefeitura reabriu alas que estavam fechadas do Hospital da Cruz Vermelha. Serão mais 54 leitos da unidade – sendo 20 de UTI – que serão utilizados para atender a população infectada com coronavírus. Além disso, o vereador também apresentou requerimento pela liberação de crédito suplementar de R$ 300 milhões para a saúde e abertura de novos leitos de UTI.