A Greve Global pelo Clima está sendo organizada em 125 países, por milhares de organizações, redes internacionais, coletivos locais, grupos de cidadãos indignados.
A Greve Global pelo Clima está sendo organizada em 125 países, por milhares de organizações, redes internacionais, coletivos locais, grupos de cidadãos indignados.

Enfrentar o colapso climático não é somente uma questão de emissões e dados científicos – significa lutar por um mundo justo e sustentável que funcione para todos. Nesse sentido, a Coalizão pelo Clima — formada por ativistas de diversas origens — decidiu somar-se à Greve Global pelo Clima, convocada em dezenas de países para a semana entre 20 e 27 de setembro. Em São Paulo, haverá manifestação na Avenida Paulista, no dia 20/9, às 16hs. O Conselho Mirim, estará presente no ato para firmar a posição das crianças em defesa do futuro do meio ambiente.

Conselho Mirim confirma presença em ato do dia 20/9 em defesa da Amazônia!

A Greve está sendo organizada em 125 países, por milhares de organizações, redes internacionais, coletivos locais, grupos de cidadãos indignados. Em nosso país a preparação coincide com um momento de grave crise ambiental internacional propagada pela reação de Bolsonaro às queimadas recentes na Amazônia. Além disso, o ato também se soma às grandes manifestações em defesa da Educação, da Universidade e da Ciência, ameaçadas pelo governo obscurantista e reacionário.

A mobilização é resposta à saraivada de ataques — concretos e simbólicos — que o governo Bolsonaro lançou contra os povos originários, a Amazônia, o cerrado, a agroecologia e todas as iniciativas que propõem novas relações entre ser humano e natureza. A tentativa de calar o INPE, órgão que monitora o desmatamento amazônico, os cortes na fiscalização do Ibama, entre outros retrocessos têm chocado a opinião pública internacional e brasileira, e exigem uma forte participação do país na greve planetária como forma de expressar esta indignação nas ruas e estabelecer alianças.

A causa ambiental, antes restrita a grupos de classe média, parece ter tomado dimensão inteiramente nova no último ano — tanto do ponto de vista social quanto político. Manifestações gigantescas, marcadas em especial pela presença de jovens e adolescentes, eclodiram em 2018 nas capitais europeias, mas também em países como a Índia, África do Sul e Colômbia.

Nos EUA, uma nova esquerda irreverente, com clara postura anticapitalista, lançou a ideia de um “Green New Deal”, que soma o esforço contra o aquecimento global a uma clara luta pela redistribuição de riqueza. A maior exigência é que as empresas parem de fazer negócios como sempre, e passem a ter um olhar mais cuidadoso com o entorno, com o meio ambiente.

No Brasil a greve tem a chance de articular as lutas de oposição a Bolsonaro com uma agenda capaz, tanto de aprofundar a crítica ao capitalismo, quanto expor o atraso patético dos grupos que controlam o poder em Brasília. Por isso, a Coalizão pelo Clima São Paulo reivindica que as autoridades brasileiras:

1. Neutralizem as emissões de carbono até 2030 e criem políticas públicas de promoção do reflorestamento e investimentos em energias renováveis, além de cumprir o compromisso de Estado assumido no Acordo de Paris de reflorestar 12 milhões de hectares até 2025;

2. Mobilizem mais recursos para pesquisa e implementação de iniciativas e soluções voltadas para ações climáticas;

3. Ampliem a educação sobre meio ambiente e sustentabilidade nas escolas, universidades e comunidades;

4. Cobrem grandes devedores do governo no setor empresarial – agronegócio, pecuária, bancos, igrejas, indústrias – para formar um fundo de combate às mudanças climáticas;

5. Instituam um conselho de combate às mudanças climáticas composto de forma paritária pela sociedade civil, comunidade científica, organizações não-governamentais e representantes do governo.