Entre todas as entrevistadas, 63% disseram que já sofreu algum tipo de assédio, em diferentes situações.
Entre todas as entrevistadas, 63% disseram que já sofreu algum tipo de assédio, em diferentes situações.

O número de mulheres que dizem ter sofrido assédio dentro do transporte coletivo subiu 18 pontos percentuais de 2018 para 2020, de acordo com a pesquisa “Viver em São Paulo – Mulher” divulgada nesta terça-feira (4) pela Rede Nossa São Paulo. Em 2018, 25% das entrevistadas disseram já ter sofrido assédio no transporte coletivo. Neste ano, a porcentagem saltou para 43%.

Infelizmente, em muitos casos, a própria Justiça contribui para descredibilizar as acusações. Além disso, a falta de iniciativas contundentes da Prefeitura para combater o assédio é fator que contribui para a sensação de impunidade do assediador, influenciando diretamente no aumento do número de casos.

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Por isso, é importante que a população entenda que atitudes como essa são graves violações aos direitos humanos. Nesse sentido, Giannazi é coautor do PL 798/2017 que cria o Programa de Combate ao Assédio Sexual no Transporte Coletivo do município de São Paulo.

A iniciativa tem objetivo de chamar a atenção para o alto número de casos de assédio sexual no transporte público e coibi-los, além de criar campanhas educativas para estimular denúncias de assédio sexual por parte das vítimas, conscientizando a população sobre a importância do tema.

O assédio não acaba no transporte público

Entre todas as entrevistadas, 63% disseram que já sofreu algum tipo de assédio, em diferentes situações. A porcentagem representa 3,4 milhões de mulheres da capital que sofreram assédio, já que dados oficiais do IBGE estimam que a população paulistana de mulheres com 16 anos ou mais é de 5,2 milhões.

Os estudos anuais revelam uma tendência de crescimento em todas as situações avaliadas – transporte público, rua, bares e casas noturnas, pontos de ônibus, trabalho, transporte particular e ambiente familiar, mas a condução permanece como o local onde as mulheres sentem maior risco de sofrer algum tipo de assédio.

Depois do transporte público, a segunda situação de assédio mais relatada entre as entrevistadas é aquela em que a mulher é agarrada ou beijada sem consentimento. A quantidade de entrevistadas que confirmou a situação também subiu quase 20 pontos percentuais, de 13% em 2018 para 31% em 2020.

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A pesquisa da Rede Nossa São Paulo revela ainda que houve um crescimento do número de paulistanas que declara ter sofrido algum tipo de preconceito ou discriminação no trabalho por ser mulher. Em 2020, três em cada dez mulheres entrevistadas confirmaram ter tido a experiência. Considerando a base de dados do Ibope, o percentual representa 1,6 milhão de paulistanas. Em 2018, o índice era de duas em cada dez mulheres.

Para denunciar casos de assédio contra a mulher é possível usar aplicativos, como “Clique 180” e “Mete a Colher”, ligar na Central de Atendimento à Mulher no 180 ou no Disque Denúncia no 181, ou comparecer a uma delegacia voltada ao público feminino, como a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM).